The People: I Remember The Home

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Interessante. É o mínimo que posso pensar em relação ao que vou contar agora pra quem entrar aqui. Há muitos anos, mais especificamente nos idos de 70 assisti um filme de ficção científica (daqueles da sessão da tarde) que me marcou, possivelmente exibido na Rede Globo, mas não conseguia lembrar do nome. Visto que sempre apreciei em demasia livros e filmes de ficção científica acabei adquirindo inúmeras enciclopédias importadas sobre o gênero, mas nada encontrei sobre ele.

Com o advento da internet, procurei informações sobre o filme mas sempre em vão. Certo dia resolvi questionar outros cinéfilos da área em uma comunidade do Orkut da qual participo que tem relação com filmes antigos. Para minha surpresa alguém lembrou do filme me indicando seu nome “The People” e até me enviou alguns links do youtube com pequenos trechos dele. Surpresa dupla ao descobrir que um dos protagonistas do filme era William Shatner, o conhecido capitão Kirk da série televisiva Jornada nas Estrelas que tanto admiro.

The People:  I Remember The Home

Se você não se importar com spoiler o filme The People narra a história de uma professora (Kim Darby) que veio da cidade grande para o interior dos EUA para lecionar a um pequeno grupo de crianças de uma pequena aldeia filhos de fazendeiros. O povo que lá vive, lembra muito os Amish, que abandonaram a tecnologia para viver do trabalho simples do campo.

The PeopleO problema maior da professora foi evidenciar que as tímidas crianças, agora seus alunos, não brincavam, não corriam e evitavam cantar. Mesmo para crianças do interior aquilo era no mínimo bizarro. Pra aumentar o mistério, todas arrastavam seus pés ao caminhar, fazendo pequenas nuvens de poeira ao caminhar pelos arredores. Com o tempo, naturalmente a professora veio a descobrir toda a verdade sobre aquele povo. Eram alienígenas que perderam seu planeta por conta de uma explosão e sem muitas alternativas sua nave veio parar no planeta Terra.

No início estavam expostos mas por conta de sua natureza alien dominavam poderes paranormais e assim entre outras coisas podiam flutuar livremente. Incompreendidos pela população local onde viviam, acabaram sendo torturados e mortos. Os poucos sobreviventes que fugiram, criaram aquela pequena comunidade coibindo seus poderes de forma rígida para sobreviverem sem ficarem expostos.

Da mesma forma, exigiam que as crianças arrastassem seus pés para não saírem voando por ai. Também não poderiam brincar ou correr, o que explicava os “mórbidos recreios”. Ao final do filme, a professora e o médico vivenciado por Willian Shatner, mesmo sabendo de sua origem alienígena, resolvem ficar por ali e viver em harmonia com a pequena aldeia agora mais segura com relação a sua natureza diferenciada.  (fim do spoiler)

Depois de assistir novamente ao filme, voltei a internet para outra pequena pesquisa sobre a origem da história. Descobri que originalmente foi um romance publicado, um livro denominado “Pilgrimage”, que fora escrito em 1961 por Zenna Henderson, que nasceu em 1917 e faleceu aos 66 anos de câncer em 1983. Nessa procura encontrei um blog americano que narra aspectos particulares da vida da escritora e que valem a pena serem mencionados aqui.

Zenna Henderson

Zenna Henderson

A profissão da escritora de romances de ficção científica era a de professora e por muitos anos foi adepta da religião mórmon. Ora, muitos grupos mórmons americanos vivem afastados da tecnologia e seu sustento é a base do que criam e plantam. Essa influência é denotada pelo que consta nos depoimentos dele e de seus leitores em outros dois livros que ela escreveu, onde sempre uma professora e seus alunos são os protagonistas de suas fantásticas histórias de ficção científica.

Possivelmente ela como escritora e professora, acabava analisando o comportamento das pessoas a seu redor (seus alunos e o povo mórmon), que lhe serviram de inspiração para seus personagens misteriosos que viriam a enriquecer suas obras literárias. Imagino que em 1972 deve tera ficado feliz de saber que o mais famoso de seus livros se tornaria um filme para televisão. Pena que não fez tanto sucesso como seus livros o fizeram por lá. Mas, de uma coisa tenho certeza. Seus livros, como o filme, marcaram na época, a vida de crianças e jovens (como eu), que viriam a apreciar o fantástico e o maravilhoso.

Se você ficou curioso e não se importa de assistir filmes antigos (qualidade VHS), acompanhe o filme na íntegra pelo Youtube sem legendas aqui:

Texto de Carlos Machado, via FuturAntiqua.

 

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