Akira – (Akira, Japão, 1988)

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Com a proximidade do Dia das Crianças, lembrei-me da primeira vez que fui assistir ao Akira, no dia 12 de outubro de 1992, Dia das Crianças, óbvio, no antigo cine Ritz. Cheguei lá sem saber do que se tratava o filme, mas como gosto de animes e mangás,  fui para ver qual era a abordagem do longa metragem.

Lá chegando, compro meu ingresso e desço as escadas que dão para a sala de projeção (se me recordo, tinha dois lances de escadas para chegar até a sala no Ritz) e o que eu encontro lá? Sim! Crianças! Crianças pequenas acompanhadas de seus pais. Pequenos pimpolhos com idade entre 7 e 10 anos.

Akira – (Akira, Japão, 1988)

Pensei: “Não pode ser um filme infantil, não pelo cartaz que eu vi lá na frente…” alguém inteligentemente tinha colocado uma placa de censura livre por cima da censura do filme e assim não deu outra, crianças, e logo na cena de perseguição do começo do filme algumas crianças já começaram a chorar e vi pais se levantando para ir embora. Resultado: cinema vazio e eu pude assistir a uma das melhores animações do século, sem exageros.

Com certeza todos já assistiram ao Akira, e se gostaram leram também as revistas, então não vou me aprofundar muito no enredo do filme, mas o que eu acho engraçado é como cada um interpreta a história de Shima Tetsuo, o antagonista da história. Alguns falam que quando ele sofreu o acidente na estrada após a perseguição contra a Gangue do Palhaço, o trauma fez com que o poder latente que ele já tinha despertasse dentro dele e outros dizem que foi o governo e os militares que o transformaram. Eu sou da primeira opinião, Tetsuo já tinha o poder, os militares apenas “ligaram” ele com experiências que eles já haviam começado com outras crianças.

Akira – (Akira, Japão, 1988)

Porém é o outro lado da história que quero comentar, não são os poderes que Tetsuo “ganhou” ou que outras crianças tinham, e sim da amizade de Kaneda, o protagonista, tinha por seu amigo Tetsuo.

Kaneda era amigo de infância de Tetsuo, eles se conheciam desde pequenos, eles foram deixados para adoção (está aí algo que não tenho mais certeza, vou ter que ler novamente para ver se é isso mesmo) e sofriam bullying (palavra da moda) lá onde ficavam.

Kaneda protegia Tetsuo, mas com o fruto de seus poderes, Tetsuo cai num frenesi louco e sai cometendo assassinatos e tendo manias de grandeza. Ele estava extravasando tudo o que sofreu quando pequeno. E Kaneda vai atrás dele para saber o que aconteceu, o porquê da mudança tão radical do amigo.

Kaneda vai atrás de Tetsuo para protegê-lo. Muito mais que um filme que mostra pessoas com poderes psíquicos, ele mostra um filme onde o valor da amizade está acima de tudo.

Apesar de já ser um filme antigo, ele continua atual até hoje. Vale a pena.

Até a próxima.

Ficha Técnica

Direção: Katsuhiro Otomo

Roteiro: Katsuhiro Otomo, Izo Hashimoto

Vozes: Mitsuo Iwata (Shôtarô Kaneda), Nozomu Sasaki  (Tetsuo Shima), Mami Koyama (Kei), Kôichi Kitamura (Priestess Miyako), Yuriko Fuchizaki (Kaori), Masaaki Ôkura (Yamagata)

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Comments

  1. Edson (Gan)  outubro 8, 2012

    Puxa eu vi no mesmo cinema pois morava em Curitiba nessa época e não sabia porque tinha tanta criança vendo esse filme, não tinha reparado na placa de censura livre na porta. Caramba, ta explicado. No mínimo o cara viu e disse “nossa gente! ta errado isso, é um desenho animado, então logo é censura livre!”. Por isso que dizem que o inferno ta cheio de gente com boas intenções.

    Mas enfim, a animação é de fato excelente. Outra coisa engraçada de ver esse filme no cinema é ver o pessoal reclamar que o som tinha parado de funcionar quando eles saem de órbita no espaço.

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