Duna: O Inventor do Livro Holístico

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Sinopse (por Aleph):

A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o Planeta Deserto. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos?
Ao lado das trilogias ‘Fundação’, de Isaac Asimov, e ‘O Senhor dos Anéis’, de J. R. R. Tolkien, ‘Duna’ é considerada uma das maiores obras de fantasia e ficção científica de todos os tempos. Um premiado best-seller já levado às telas de cinema pelas mãos do consagrado diretor David Lynch.

Duna

Quando me deparei com as divagações do físico Fritjof Capra, busquei o significado do holismo por ele professado, e descobri que tem sua raiz em hol-, do grego, que significa “tudo”. O holismo, diferente do paradigma normal da ciência ocidental desde que foi inventado o método científico, busca analisar tudo em visão “panorâmica”, todos os pormenores e a correlação que leva a um resultado. Em comparação, se você está doente, um médico ocidental diagnostica e dá um comprimido. Um holístico procuraria, além disso, a raiz do problema e como evitar que se repetisse em sua vida.

Duna_nova-fronteiraDuna foi publicado por Frank Herbert em duas partes numa pulp após ter sido recusado por cerca de trinta editores. Um deles, profeticamente, comentou: “Posso estar cometendo o erro da década, mas…”. E ele cometeu. O livro não só foi revolucionário e bem aceito pelo público, como repetiu o sucesso na crítica e faturou os prêmios Hugo e Nebula, os principais da fantasia e ficção científica nos EUA. Não considero o livro apenas um marco na literatura, mas um clássico holístico antes mesmo do termo ser cunhado.
Confesso que não era interessado por ler ficção científica antes de Duna. Comprei o livro num sebo por R$ 5,00 em 2004 e, como estava escrevendo meu romance Os Herdeiros dos Titãs, emprestei-o. E, terminado o meu livro, comecei a ler.
Foi algo tão dramático que Duna simplesmente chutou o mega épico Musashi do topo da lista dos meus preferidos, e, ao lado da continuação-epílogo O Messias de Duna (Dune Messiah), nunca mais saiu de lá. A forma com que o autor escreve de maneira velada, mas apaixonando tanto o leitor que este se obriga a compreender cada termo usado e o impacto que ele causa, bem como os conceitos criados por Herbert, é única. Ao invés de encontrar robôs, batalhas de naves e supercomputadores, deparei-me com um enfoque no humano, em suas potencialidades, seus anseios e sua profundidade inexplorada. A cada página, o resultado foi uma satisfação e uma reflexão, geralmente resultando num aprendizado. Tudo em Duna é explorado e relevante para o curso dos acontecimentos: psicologia, sociedade, religião…
duna_aleph
Duna já foi transposto para as telas mais de uma vez, sendo uma delas no cinema, geralmente tendo um resultado insosso. A estória de Duna, por si só, é simples – já vi comparações com Robin Hood -, e talvez o erro tenha sido focar na narrativa. Não, não é em seu roteiro que Duna é original. E sim nos “planos dentro de planos dentro de planos” que permeiam as mentes de seus personagens, complexos e verossímeis; sim no uso de drogas para novos estados de consciência e compreensão de grandes verdades; sim no planeta desértico dos vermes de areia quilométricos; sim no poder político e social das crenças.

Mesmo não contendo longas descrições, Herbert consegue envolver o leitor de tal modo que surgem ao seu redor as paisagens das dunas de areia de Arrakis, e ele sente a boca seca e o desconforto do traje-destilador. Mais do que isso: toda aquela privação consegue se tornar apaixonante, de modo que é impossível se pensar em deserto sem uma certa nostalgia após a leitura do livro.

A série foi lançada no Brasil pela editora Nova Fronteira, mas está esgotado e não há reimpressões. Mas, para a felicidade geral da nação, a Aleph republicou o primeiro livro recentemente. Uma sugestão: prepare-se para uma corrida aos sebos, pois será impossível se contentar com o primeiro livro. Ou então faça sua prece a Shai-Hulud para que a Aleph publique os outros!

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Comments

  1. João Mariano  agosto 9, 2011

    A minha saga de sci-fi preferida. Pena o novo filme e possíveis licenças de jogo de mesa nunca se materializarem. :P

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  2. Druida-filid  agosto 10, 2011

    Camarada,

    Duna é um dos melhores livros que ja li em toda minha vida!

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