Sistemas & Old School

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A amigo Fernando Valadares, do excelente o O Explorador de Masmorras, e que está colaborando enormemente na tradução do RPG Mazes & Minotaurs para o português publicou um artigo digno de nota em seu site.

Não é do meu feitio republicar textos de outros autores, mas este realmente vale a leitura. Com a devida autorização, segue o texto:

O que significa o sistema em uma campanha? A sua mudaria se você jogasse M&M ao invés de D&D, por exemplo?

Ao ler o post  “Finalmente teremos o Gurps 4e?” do RPG do Mestre, percebi como é fraco o meu conhecimento sobre outros sistemas que não o Dungeons & Dragons. O.K., muitas pessoas podem perguntar-se como eu posso escrever em um blog com um conhecimento tão limitado em outros jogos, como Gurps ou Tormenta, mas, no fundo, o sistema não faz diferença, pois o RPG é um só.

Qual foi o seu primeiro sistema de RPG? Eu comecei com o D&D, e ainda o prefiro a todos os outros. Mesmo na época sendo novo para jogar, não tinha problema com os livros grandões e rapidamente os lia, tentando aprender como usar cada perícia e conduzir cada classe em uma aventura. Hoje em dia, quando quando boto as minhas mãos em um livro de 3D&T, não consigo levá-lo para a minha mesa; ele é simples demais, na minha opinião. Mas o 3D&T não foi feito para quem gosta de regras, claro. Ele foi construído para trazer os jogadores iniciantes para o nosso universo, mostrando-os que o RPG é mais do que apenas três livros entupidos de regras.

Acreditem, as regras são é um fator que influi muito na decisão do seu colega quando você pergunta se ele quer jogar. Alguns olham para a sua montanha de livros, depois para a ficha, e só o que vêem é mais uma ocupação, não a diversão que os só jogadores experientes vêem no RPG. Não adianta dizer que apenas o Mestre deve saber em que página se encontra cada regra e como elas funcionam, ninguém quer ter mais uma coisa para enfiar na cabeça, a menos que esteja muito interessado. E foi ai que surgiu o 3D&T, um sistema para jogadores que não querem compromisso com o RPG.

Falando em sistemas descomplicados, esses dias eu tenho trabalhado junto com Hélio lá do Rocky Racoon na tradução do sistema Mazes & Minotaurs. Também é um sistema simples, não há escolha de raças (centauro, por exemplo, é uma classe) e esse tempo analisando-o me deu a oportunidade de conhecer bem o jogo. O que posso dizer? Com ele descobri que posso sobreviver sem regras para todo tipo de ação, entendi na íntegra o que quer dizer Old School. E gostei! Reforça a ideia de que o RPG é feito mais para a interpretação, como o seu nome diz, roleplaying, do que para seguir as regras arbitrariamente.

Mas, como eu acabei de dizer, ele apenas reforça, e isso leva ao que comentei no primeiro parágrafo: o sistema não faz diferença, no final das contas. Quem diz que o roleplaying depende do sistema, permitam-me dizer, está enganado. Os livros básicos, afinal, servem apenas para você criar uma outra versão personalizada para si mesmo, e não para prendê-lo ao que está escrito e só. Eu nunca usei nenhuma regra para locomoção de montarias, e creio que nunca vou usar.

O Mestre, se quiser, pode transformar um jogo complicado em simples, basta somente retirar as regras que não considere necessárias para a sua mesa, ou as que seus jogadores não aprovem. Não tem essa de que D&D atrapalha o roleplaying, por que não o faz. Gosto de contar que vez ou outra, quando o meu grupo estava cansado, mandava apagar as luzes da sala, para que ninguém olhasse para as fichas ou lesse algo no livro. As luzes só podiam ser ligadas na hora de um combate, ou quando a situação realmente exigisse. Começava apenas a narrar o que acontecia, sem que os personagens precisassem jogar um dado para atravessar um rio!

Mas afinal, qual a diferença entre D&D e M&M? A ambientação, as magias, as classes mudam, mas não o modo de jogar. Não importando o seu sistema, você está jogando RPG, não é? Não são necessárias regras para toda sorte de acontecimentos, apenas a interpretação.

Se você está pensando em criar ou estiver procurando um sistema para jogar, pense nisso. E tente cada vez mais reviver o Old School em suas aventuras; deixe números e dados de lado, usando apenas a imaginação para criar a sua campanha. Um dia desses encontrei em um livro de MERP uma frase que para mim traduz o significado do RPG: “roleplay é como atuar. O Mestre é um tipo de diretor, enquanto os jogadores são os personagens principais. Todos combinam seus talentos imaginativos para criar uma história espontânea que nunca falta em ação, intrigas e aventuras”.

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